Entrevista

Ensino a Distância no Brasil

Presidente do Conselho Técnico-Científico da Rede EAD do Senac – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, uma das mais tradicionais e antigas instituições no Brasil a desenvolver projetos de EAD, hoje com 19 pólos espalhados pelo território nacional, Anna Beatriz de Almeida Waehneldt fala sobre a importância da Educação a Distância num mundo em contínua transformação e destaca o papel do Legislativo e do Executivo nos avanços da modalidade no país.

Por Marcos Linhares - Ascom/Ciclo

Qual a importância do Ensino a Distância no Brasil, sob o seu ponto de vista?

CNC/SENAC: Levando-se em consideração as dimensões territoriais do nosso país e um mundo do trabalho em contínua transformação, a educação a distância atende a demandas sociais por educação continuada e amplia o acesso a uma população geograficamente dispersa, com diferentes ritmos de aprendizagem e possibilidades de tempo para o estudo, que lhe dificultam participar do ensino presencial.

A Sra. comemorou os resultados do Enad que apontaram melhores resultados dos alunos de EAD que dos alunos presenciais?

CNC/SENAC: Os resultados do Enad serviram para reforçar aquilo que nós, que atuamos na educação a distância, já sabemos: não há diferença de qualidade entre um curso presencial e um curso a distância. Há, sim, diferença de qualidade entre as instituições de ensino e não na modalidade em que ela atua (presencial ou a distância). Os requisitos de qualidade são os mesmos para as duas modalidades. Na verdade, os cursos a distância, por suas características, exigem cuidados muito maiores, principalmente nos aspectos tecnológicos e no perfil do professor. Mas, é claro, que os resultados serviram para mostrar à população que também temos excelentes cursos a distância e que o desempenho dos alunos de um curso dessa natureza pode ser tão bom ou melhor do que quando estão cursando presencialmente.


O preconceito e a falta de informação ainda atrapalham um pouco a expansão do EAD no Brasil?

CNC/SENAC: Com certeza, ainda temos muito preconceito em relação à educação a distância. E isso se deve, principalmente, pela falta de informação. Mas acredito que já estamos em um novo patamar. Hoje, a educação a distância já é uma realidade em nosso país, e os dados mostram isso: no Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância (AbraEAD), em 2007, 2,5 milhões de alunos estudaram a distância em vários tipos de cursos, representando um crescimento de cerca de 25% no número de alunos matriculados no ano anterior.


O Ministério da Educação tem sido um bom parceiro em relação ao EAD?

CNC/SENAC: Sim, o MEC tem ajudado bastante no avanço da educação a distância no nosso país, não só em legislação como em ações. O decreto 5.622/2005, que regulamenta o artigo 80 da LDB, foi um avanço; a Universidade Aberta e a atual gestão da Secretaria de Educação a Distância foram passos importantes.


Como avalia a iniciativa da Comissão de Educação da Câmara em promover desde o ano passado (2007) seminários com trocas de experiências educacionais internacionais? O Legislativo dá um avanço?

CNC/SENAC: O Legislativo dá um grande passo ao realizar seminários que promovam um amplo debate torno da educação baseada em reflexões e experiências bem-sucedidas realizadas pelo Brasil e por outros países. Ao promover um seminário internacional de EAD, por exemplo, o legislativo demonstra estar sintonizado com os novos rumos que a educação vem tomando no mundo e preocupado em trazer tais reflexões para a sociedade brasileira.


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