Na segunda-feira (16), durante o II Ciclo de Seminários Internacionais de Educação, o presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, deputado João Matos (PMDB/SC) falou sobre a importância de realizar os eventos e discutir os temas propostos para 2008.
João Matos é administrador de empresas e professor. Ele cumpre o quarto mandato na Câmara. Antes de tomar posse em Brasília, foi deputado estadual em Santa Catarina por duas vezes, de 1987 a 1991 e de 1991 a 1995. Como deputado federal, Matos licenciou-se do mandato entre 1995 e 1998 para ocupar a Secretaria de Educação e Desporto de Santa Catarina. Também licenciou-se em 2005 para ocupar o cargo de secretário de Coordenação e Articulação de seu estado.
João Matos expôs que "em relação aos especialistas estrangeiros, o objetivo da Comissão é otimizar o ensino a distância no Brasil através das experiências utilizadas no exterior. Esperamos que com os exemplos aqui apresentados, de experiências que deram certo ou não, o Brasil consiga atingir a excelência no ensino a distância", espera o presidente da Comissão.
Confira a entrevista concedida pelo deputado João Matos:
A 2ª edição do Ciclo de Seminários Internacionais traz à discussão três importantes temas. De que forma os debates desses temas poderão contribuir para um salto qualitativo do sistema educacional brasileiro?
JM - Após discutir, em 2007, temas-chave para a educação básica brasileira – Reforma Educativa, Ensino Médio Diversificado e Educação Infantil – o Ciclo de Seminários Internacionais apresenta, nesta segunda edição, experiências que podem estimular o debate e nortear a formulação de políticas em outras três áreas voltadas para o avanço tecnológico e para o desenvolvimento da qualidade social da educação brasileira: Educação a Distância, Financiamento do Ensino Superior e Fronteiras do Ensino Profissional.
Porque começar o Ciclo debatendo o ensino a distância?
JM- Para nossa Comissão é um prazer abrir o debate com uma das áreas mais interessantes do ensino superior: educação a distância (EAD). A EAD representa uma alternativa viável e eficaz para tornar a educação mais acessível a toda a sociedade. Antes, porém, há que se superarem alguns obstáculos, como a mudança de cultura das organizações, dos governos, dos profissionais e da sociedade em geral; há que se democratizar o acesso aos recursos tecnológicos e, conseqüentemente, o acesso à informação; há que se vencer as dificuldades econômicas, geográficas, de maturidade e de motivação das pessoas.
Acha que o país acredita, conhece e apóia o ensino a distancia?
JM - A EAD é a modalidade de ensino que pressupõe uma assincronia espaço-temporal entre aluno e professor para o desenvolvimento das atividades de ensino e aprendizagem, isto é, as mesmas são desenvolvidas sem a necessidade de aluno e professor estarem presentes no mesmo local e no mesmo momento. Apesar desta evidente característica favorável – a flexibilidade – a EAD ainda enfrenta muitas resistências para sua aceitação no meio educacional brasileiro, sendo alvo de preconceitos, por parte da sociedade em geral e de certos setores acadêmicos e organizacionais, e de críticas de natureza pedagógica, de gestão e em relação à qualidade dos cursos. Mesmo com todas as dificuldades, a EAD vem ganhando terreno no Brasil. Exemplo disso são os cursos superiores a distância, que passaram de 52 para 349 entre 2003 e 2006, perfazendo um aumento de 571% na oferta. No entanto, este número corresponde a uma tímida participação de 4,4% no universo dos estudantes do ensino superior, ainda muito aquém das possibilidades que a EAD permite alcançar.
Como o Legislativo brasileiro pode ajudar na construção de uma educação superior mais democrática e plural?
JM - Durante os discursos de abertura do seminário, o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arlindo Chinaglia chamou a responsabilidade das questões da educação para o Congresso. Ele foi muito feliz e pontual quando reconheceu, durante o discurso dele, que o Legislativo deve se responsabilizar pela políticas de educação. A Comissão de Educação e Cultura da Câmara continuará contribuindo para o debate sobre educação no País e para a construção de soluções que tornem possível uma educação de qualidade para todos os brasileiros.
Tanto quanto ampliar o acesso ao ensino superior é preciso criar alternativas de inclusão e encarreiramento profissional para aqueles que não seguirão para o ensino superior. Quais as expectativas para os dois outros seminários que serão realizados no próximo semestre?
JM- O modelo brasileiro é equivocado, porque quem pode pagar não paga; e quem não pode, paga. O Brasil apresenta um índice razoável de acesso ao ensino superior, mas os alunos não conseguem manter-se no curso por não terem condições de pagar as mensalidades. Discutiremos para encontrar uma saída. Há vários países em condição similar a do Brasil que já desenvolveram soluções, enquanto ainda não conseguimos. Os três temas de certa forma se relacionam.. Nesse sentido, a educação a distância deve ser vista como um dos potenciais instrumentos que podem nos ajudar a desatar alguns dos nós da educação brasileira, como a ampliação das vagas no ensino superior, a formação profissional técnica de nível médio e superior, e a formação de professores para a educação básica – cuja carência em algumas disciplinas já começa a prejudicar o desempenho dos alunos, principalmente no ensino médio.
Como avalia o apoio dado pela CNC ao evento?
JM- É com grande satisfação que damos prosseguimento a esta iniciativa com o apoio do Sistema Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) – Serviço Social do Comércio (SESC) – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Juntos, traremos experiências internacionais exitosas de para a construção de soluções estruturais para o aprimoramento do sistema educacional brasileiro.
Fonte: Marcos Linhares e Vitor Ferns (Ascom/Ciclos)