Professoras brasileiras afirmam que modelo brasileiro de financiamento do ensino superior deve ser revisto
Fonte: Jornal da Câmara e Ascom/Ciclos
No encerramento, na tarde da segunda-feira (13), do seminário internacional sobre Financiamento do Ensino Superior, as professoras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Clarissa Baeta Neves, e da Universidade de São Paulo Elizabeth Balbachevsky defenderam uma redefinição do modelo brasileiro para o financiamento do ensino superior no Brasil.
De acordo com as especialistas, a fórmula de distribuir recursos para as universidades públicas com base em número de professores e de alunos está superada. "Temos uma experiência muito rica de avaliação das instituições. Não há nenhuma razão pela qual não se possa usar esses instrumentos para estabelecer formas de financiamento", destacou Balbachevsky no evento promovido pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara, em parceria com o Sistema Confederação Nacional do Comércio (Sesc-Senac).
Clarissa Baeta Neves destacou que os debates no seminário deixaram patente que "não existe modelo ideal de financiamento". Segundo ela, três mecanismos apareceram como consensuais ao longo do dia - financiamento do governo, dos estudantes ou da família, e de outras entidades, por meio do pagamento de patentes, de consultoria ou da oferta de créditos educativos.
O deputado Severiano Alves (PDT-BA) defendeu uma parceria entre o governo e as instituições privadas para expandir o ensino superior no Brasil. Nesse sistema, estudantes teriam a faculdade financiada pelo governo e, após formados, poderiam pagar a dívida prestando serviços para o Estado. Assim, um médico com prazo de quatro anos para quitação da dívida poderia trabalhar durante quatro anos para o governo, atendendo à população, ou trabalhar dois anos e pagar o restante em dinheiro. "Seria um financiamento social para garantir o direito constitucional à educação", afirma Severiano Alves.
O presidente da Comissão de Educação e organizador do evento, deputado Joao Matos (PMD/SC), defendendeu que "é necessário qualificar esse debate com a discussão do apoio ao ensino superior que dá resultados e agregar conceitos como ensino de boa e de má qualidade", finalizou.
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